Poesias

FRATERNIDADE

Vem comigo profano.  Sobe consciente
A Escada de Jacó, iluminada!
Fita  na beleza do Oriente
a Estrela rutilante destacada!
Veja, o que somos; e o que fazemos
Unidos pelo Bem nos desdobramos.
Pelo nosso trabalho, só queremos
Que distribua um pouco do que damos.


Quando na terra dois homens se encontram
Se, um ao outro, estendeu a sua  mão;
Ambos sentiram que se unificaram.
Eram dois homens e um só coração.
Por Amor, pelo bem da humanidade,
Contra o Despotismo e a humilhação
Foi que o Grande Arquiteto – na verdade,
Fez uma mão encontrar com a outra mão.



Saudação da Loja Maçônica “Fraternidade Açuense” 
às forças armadas.


Soldados do Brasil! Eu vos saudo.
Um gesto meu, talvez revele tudo
Do que fui, do que sou, do que serei...
Sou maçom, como tal, homem prudente,
De bons, costumes, livre, e independente,
Sabendo respeitar a Honra e a Lei
Soldados do Brasil! Forças Armadas!
Três bandeiras pros céus alevantadas,
Exigindo coragem e decisões!
Há nesse panorama as alegrias
Do nome venerável de Caxias,
Honra e glória de muitas gerações.
E nós, soldados da “FRATERNIDADE”,
Unidos pelo bem da humanidade,
Evocamos o nome de Caxias...
O valoroso, Irmão que, em dado instante,
Encontrou, na estrela Flamejante,

A luz imensa das sabedorias!


Poeta Renato Caldas


Grande Poeta, Seresteiro e Compositor
Sendo Assú a sua adorada cidade Natal
Logo, logo, a fama de poeta conquistou
Tornando-se assim, na vida um imortal

Realizado na vida como um profissional
Sentindo que o tempo estava passando
Inicia na soberana Maçonaria Universal
Vendo a luz que o Arquiteto esta dando

Segue com firmeza nesta trajetória
E levanta com vigor templos a virtude
Buscando o equilíbrio na sua memoria
E lutando em prol da nossa juventude

Quando resolveu o Grande Arquiteto
O levar para a sua definitiva morada
Ficou na terra o acervo do seu mérito
E a firmeza exercida nesta caminhada.

Haroldo Josuá
Natal, 03/10/2013






FULÔ DO MATO

Sá Dona, vossa mecê
É a fulô mais cheirosa,
A fulô mais perfumosa
Qui  o meu sertão já botô!
Podem fazer um cardume,
De tudo que fô perfume,
De tudo que fô fulô,
Quí nem um, nem uma só,
Tem o cheiro do suó.
- Tem cheiro de madrugada,
Fartum de areia muiáda
Qui o uruváio inxombriô.
É um cheiro bom, deferente,
Qui a gente sentindo, sente,
Das outa coisa o fedô.

PURGATÓRIO

Venha ver seu moço, oi,
O que é fome no sertão
Mecê, é lá da cidade,
Num tem a infelicidade,
De conhece isso não.
Mas é bom sempre que veja,
Pru mode me acreditá.
E, pru raiva, ou compaixão,
Dizê aos nossos irmão,
Qui viu o nosso pena
...Mas sertão num é Brasí.
O Brasí é lá pro sú.
Isso aqui é um purgatório...
Quem mata a fome é o sodoró
E a sede é o mandacaru.
  

REBOLIÇO
Menina me arresponda,
Sem se ri e sem chorá
Pruque você se remexe
Quando vê home passa?
Fica toda balançando,
Remexendo, remexendo...
Pensa tarvez, qui nós véio,
Nem tem oio e nem tá vendo?
Mas, se eu fosse turidade,
Se eu tivesse argum valô
Eu botava na cadeia
Esse teu remexedô...
E adespois dele tá preso,
Num lugá, bem amarrado,
Eu pedia – minha Nêga,

Remexe pro delegado.

POETA ASSUENSE

INTUSIASMO

 

Teus óios esverdeado,
Só parece dois sordado
Do Exército Nacioná.
Ou dois cabo, dois sargente,
Dois Furrié, dois Tenente,
Dois Majó, dois Generá.

São dois fuzi, dois canhão,
Duas granada de mão,
Duas combré, dois punhá...
Tenho certeza qui morro
Mas, pra riba deles corro;
Eu quero é me estraçaiá.

São dois espinho reimôso,
São dois menino teimôso,
São dois pecado mortá.
Deus me perdói a lembrança –
Duas hósta de esperança
Prus meus ôio acumungá.
........................................
São duas pena de morte,
São duas lei marciá.

Renato Caldas - Poeta assuense


PRAQUÊ OIÁ?


Cabôca nova danisca,
Qui quando passa faísca
E tem convite no andá...
Quando anda remexendo,
As cadeira estremecendo,
- Num posso deixá de oiá.

Óio, óio e fico oiando
E dento deu vai inchando
O pecado originá.
Me esqueço da carestia
Se ela vendesse, eu queria
O maquinismo comprá.

Comprava só de malino,
Pra dá prazê ao destino,
- Véio, num tem o qui dá
Agarrava, aquela jóia,
Butava em minha tipóia,
Despois, ia balançá.

Me fazia de dengôso
Pachola, esperto, amorôso...
Porém, nada de avançá.
... Praquê fazê traquinage?
Véio só tem pabulagem...
Farta na hora legá.

Renato Caldas - Poeta assuense


JURAMENTO

Sá Dona, eu só quiria,
Qui mecê pudesse vê,
A dô qui trago nos peito,
Sofrendo pru seu respeito
Tudo pru vossa mecê.

Desde aquela tarde ingrata,
Meu coração parpitô:
Qui tava tudo acabado,
Tava tudo desgraçado...
Meu coração num faiô.

Prá eu, tem sido uma luta.
Tô mágo assim de pená!
Se as vez, eu pégo no pinho,
Coméço a cantá baxinho,
O pinho pega a chorá.

Se coméço oiá pra lua,
Me alembrando de mecê;
Vejo ela se escondendo,
Se incuiendo, se incuiendo,
Cum pena do meu sofrê.

Inté a lua, Sá Dona,
Chora, tem pena d’eu!
Só Sá Dona num simporta,
Inté me fechô a porta,
Cuma se eu fosse um judeu.

... Lá um dia Deus mióra,
mióra pruque Deus qué.
E eu juro ajueiado;
Inquanto tive lembrado,

Num oiá mais pra muié.

Renato Caldas - Poeta Assuense

CAUSO

Conta Valério Mesquita que em Assu, na calçada do poeta Renato, local de bate-papos inteligentes, Severo Santiago perguntou ao poeta Renato Caldas: 
- Diga-me as três melhores coisas da vida.
O irreverente vate detonou:
- Cerveja gelada, boi na invernada e mulher pelada!
Severo foi além:
- Agora amigo, diga as três piores!
Renato, sem gaguejar, resumiu:
- Cerveja quente, boi doente e, mulher dos outros que a gente quer pra gente!
A esposa dele estava escorada no portal, sorriu e entrou. Renato sentenciou:
- Viu, o que você fez? Hoje durmo no sofá!

Fonte: Jornal Potiguar Notícias
Foto ilustrativa. 
Fonte: http://assunapontadalingua.blogspot.com.br/





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