Renato Caldas

CAUSO

No início da década de sessenta, o deputado Edgard Montenegro, candidato a sua reeleição, foi a Santa Luzia, então município de Assu, atual e próspero município de Carnaubais/RN, participar de uma concentração pública. Na sua comitiva, o afamado poeta Renato Caldas (foto). 
Edgard já conhecendo aquela figura irreverente, precavido, logo que chegou naquela localidade ordenou o seu motorista ir direto para casa do seu amigo e correligionário Joel Siqueira, para deixar Renato esperando até terminar o comício que seria realizado no distrito de Entroncamento. Renato, querendo tomar 'umas e outras', disse para dona Zulmira, esposa de Joel, o seguinte:
- Dona Zulmira, eu tô com umas palpitações no meu coração. Eu vou ali na rua ver se compro um remédio!
- Seu Renato, dizem que uísque é muito bom pro coração! Você quer tomar? - Perguntou dona Zulmira ao poeta boêmio. Renato não deixou para depois, soltando essa: 
- Zulmira... Você acabou de salvar uma vida!
E o poeta tomou um litro de uísque sozinho, embriagando-se.
Postado por Fernando Caldas.
              
Pedro Kefas(Pedro da Farmácia) e Renato Caldas



                RENATO CALDAS - Poeta consagrado. Desenfadado no braço do violão. Projetou-se no cenário cultural e rompeu fronteiras, adotando para seus versos, com naturalidade, o gênero matuto. Estilo que lhe rendeu glórias e proporcionou respeito no meio literário, levando o nome da sua terra natal aos mais apartados rincões deste País.
         Nasceu em Assú no dia 08 de outubro de 1902, filho do Sr. Enéas da Silva Caldas e de D. Neófita de Oliveira Caldas. Aos seis anos estudou as primeiras letras na escola de dona Luíza de França. Quando foi fundado o Grupo Escolar Ten.cel. José Correia em 1911, lá estava ele, inserido no rol dos alunos pioneiros.
         Aos dezoito anos obteve seu primeiro emprego, como tipógrafo, na Tipografia de José Severo de Oliveira, no Assú. Certamente esta foi a grande escola. Daí o seu afeto pelas letras. Posteriormente foi motorista e mensageiro dos correios e telégrafos. Viajou ao Rio de Janeiro e trabalhou como  tipógrafo e caixeiro viajante. Por conseguinte, em Santos, novamente atuou como tipógrafo e foi pracista da firma Leite Gasgon.
         Ao regressar ao Assú, colaborou em diversos jornais. Por sua conta, resolveu excursionar pelas cidades do interior de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, recitando seus poemas e tocando violão. Tornou-se um Show-Men através de suas Melodias Selvagens.
Casou-se no ano de 1939 com D. Fausta da Fonsêca Nobre - musa inspiradora de muitos dos seus poemas.  Esposa dedicada, amiga e companheira até à hora do último adeus, ocorrido no dia 26 de outubro de 1991.
Renato Caldas, o poeta de “Fulô do Mato”, “Poesias”, “Meu Rio Grande do Norte” e “Pé de Escada” - este último em parceria com João Marcolino de Vasconcelos (Lou) selecionou recortes de jornais, fotografias, documentos, cartas, opiniões de críticos e de amigos... na busca de preservar não somente a sua história, mas a de uma época nobre para a cultura norte rio grandense.
A Prefeitura Municipal do Assú, através da Secretaria de Cultura e a colaboração dos familiares, no centenário do seu nascimento, resgata uma dívida com o povo e realiza um dos sonhos de RENATO CALDAS – O Poeta das Melodias Selvagens, no tocante a publicação deste material de relevante contribuição para a cultura regional.
                                                        Ivan Pinheiro
                                                  Assú, agosto de 2002


RENATO CALDAS viveu sua infância consumindo água de cacimba, degustando os apetitosos peixes do Piató, tomando banhos nas águas barrentas do córrego, fabricando seus próprios brinquedos, debulhando milho e feijão nos tradicionais encontros de vizinhos, ouvindo estórias de trancoso, adivinhações... Deleitando as noites estreladas e enluaradas. Época em que as crianças reverenciavam os mais velhos.
Talvez tenha sido este contato direto com a pobreza e com a rica natureza do Vale, que fez dele uma figura humana preocupada com a preservação do meio ambiente e com a cultura popular do nosso povo, facilmente identificada em “Fulô do Mato”.
 Boêmio, cantador e inigualável poeta. Em um de seus versos, ele afirmou que foi desempenado no braço do violão.
Namorador de primeira grandeza. Quando a questão era mulher, todo tipo e padrão lhe serviam e a todas prometia: amor eterno e um lugar no coração.
Fulô do Mato” tem uma importância singular para a vida literária do poeta Renato Caldas, assim como para a cultura do Assú. Nestes sessenta e dois anos, desde a sua primeira edição em 1940, foi sempre um livro raro nas prateleiras das livrarias e bibliotecas. Neste gênero, no Estado do Rio Grande do Norte, sobrelevou a todos, ao alcançar este seguimento de sete edições.
Fulô do Mato” é aquela lamparina a iluminar o interior da choupana, enquanto o pobre repousa inquieto, sonhando com a labuta incerta do dia seguinte. É a única luz... É caatinga e várzea, seca e inverno, amanhecer e por-do-sol.
Fulô do Mato” derrama suor e lágrimas. Tem lábios femininos cedentes de beijos... Olhos hipnotizantes. Possui o cheiro do campo e o perfume bom da mulher amada. Retrata o poeta Renato Caldas de “corpo e alma”. É Assú, Rio Grande do Norte, Nordeste e Brasil.
                                   

         APRESENTAÇÃO

         Durante 65 anos (idade em que o homem, no Brasil, esta apto a se aposentar) esta preciosidade ficou apática no fundo de um baú. Seu corpo foi sempre alimentado da “Fulô mais chêrosa, a Fulô mais prefumosa qui o meu sertão já botô”.  
          O amor e carinho com que foi manualmente trabalhada demonstram a sensibilidade do autor às artes, transformando-o num exímio calígrafo.   Agora, graças a esta parceria, tal qual a libertação do Aladim (da lâmpada maravilhosa), publicamos esta relíquia, revelando as primeiras inspirações do jovem poeta Renato Caldas que nos anos subseqüentes, transformou-se num show-Men da poesia popular nordestina. 
         “Fulô do Mato” é, portanto, um presente no presente, resgatando e valorizando o passado para que no futuro o Assú possa ter reminiscências.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  
                                              
                                               Ivan Pinheiro

                                               Outubro/2002

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